08/10/2010 9:51

Dissidente chinês Liu Xiaobo, que está preso, leva Nobel da Paz

O ativista chinês Liu Xiaobo ganhou nesta sexta-feira o Prêmio Nobel da Paz de 2010, em reconhecimento a décadas de ativismo não-violento pela democracia e os direitos humanos. A China, que mantém Liu na prisão, qualificou a escolha de “uma obscenidade”.

A escolha coloca na berlinda a situação dos direitos humanos na China, num momento em que o país começa a se valer do seu expressivo crescimento econômico para ocupar um papel de maior destaque no cenário político internacional.

O Comitê Norueguês do Nobel elogiou Liu por “sua luta longa e não-violenta pelos direitos humanos fundamentais na China” e reiterou sua crença em “uma estreita conexão entre direitos humanos e paz”.

Liu está cumprindo pena de 11 anos de prisão pelo crime de subversão, já que foi um dos articuladores da chamada Carta 08, em que ativistas e intelectuais chineses pediam liberdade de expressão e eleições multipartidárias.

Esse ex-professor de literatura, de 54 anos, tornou-se conhecido como ativista desde que participou de uma greve de fome durante os protestos de 1989 na praça Tiananmen.

O governo chnês disse que a escolha de Liu viola os objetivos de Alfred Nobel, o criador do prêmio, e irá abalar as relações entre China e Noruega, que atualmente negociam um tratado bilateral de comércio.

“Isso é uma obscenidade contra o prêmio da paz”, disse Ma Zhaoxu, porta-voz da chancelaria, em nota.

Thorbjoern Jagland, presidente do Comitê do Nobel, disse que a China, segunda maior economia do mundo, precisa se acostumar a estar sob maior escrutínio devido ao seu crescente poderio, assim como ocorreu com os EUA após a Segunda Guerra Mundial.

“Temos de falar quando outros não podem falar”, disse Jagland a jornalistas. “Com a ascensão da China, devemos ter o direito de criticar (…). Queremos promover essas forças que desejam que a China se torne mais democrática.”

Liu Xia, esposa do dissidente, disse que não acreditava no prêmio – embora o marido dela fosse apontado como favorito. “Mal posso acreditar, porque minha vida já esteve cheia de muitas coisas ruins”, disse ela. “Este prêmio não é só para Xiaobo, mas para todos que trabalham pelos direitos humanos e a justiça na China,” declarou ela numa emocionada entrevista por telefone a uma TV de Hong Kong.

Entidades de direitos humanos dizem que o prêmio surge num momento em que os governos ocidentais estão tirando da sua pauta a questão dos direitos humanos na China, por darem mais importância ao crescimento econômico do país.

Nicholas Bequelin, da entidade Human Rights Watch, disse que se trata de “uma vitória para todos os corajosos dissidentes, ativistas, advogados e defensores dos direitos humanos na China, que continuamente têm se erguido contra a tirania durante todos estes anos”.

Meses atrás, o vice-chanceler Fu Ying havia alertado o Instituto Nobel a não conceder o prêmio a Liu, sob pena de afetar as relações sino-norueguesas. A China já havia reagido duramente em 1989 à concessão do Nobel da Paz ao Dalai Lama, líder espiritual do Tibete que vive exilado na Índia.

A última vez que o Nobel da Paz foi para um dissidente foi em 2003, no prêmio dado à iraniana Shirin Ebadi.

Reuters

28/09/2010 18:45

Igreja forma frente de reconstrução religiosa do Haiti

Um encontro em Miami, Estados Unidos, entre bispos do Haiti, episcopados de vários países e instituições financeiras, abordou a reconstrução religiosa do país caribenho. Um acordo que estabelece formalmente um órgão consultivo internacional responsável pela avaliação e construção de cerca de 70 igrejas destruídas pelo terremoto foi assinado durante a reunião.

O Episcopado do Haiti será o condutor do projeto que terá a participação da Conferência dos Religiosos do Haiti, a Agência para a solidariedade na América Latina da Conferência Episcopal da Alemanha, o episcopado americano, o Catholic Relief Services e a Sociedade São Vicente de Paulo.

Segundo o jornal vaticano L’Osservatore Romano, a atenção será concentrada na avaliação e realização dos projetos enquanto o objetivo é envolver a população local, com a finalidade de que a mesma se torne independente das ajudas externas. “Também será possível aos doadores acompanhar em detalhes o progresso feito na reconstrução”, disse o Núncio Apostólico no Haiti, dom Bernard C. Auza, “mas, apesar dos 33 milhões de dólares recolhidos, seriam necessários ulteriores fundos”. Sobre os projetos, que preveem a reconstrução de todas as estruturas religiosas, no entanto, ainda não foi aberto nenhum canteiro de obras.

CNBB

21/09/2010 18:36

Mineiros soterrados receberão imagem de Nossa Senhora

A Pastoral Juvenil do Uruguai enviou uma imagem da Virgem dos Trinta e Três ao grupo de 33 mineiros chilenos soterrados na jazida San José de Atacama, para dar-lhes esperança “nestes momentos difíceis”.  

Uma imagem foi entregue à delegação da Pastoral Juvenil chilena que participou do 3° Congresso Latino-americano de Jovens celebrado na Venezuela.  

Na mensagem que acompanha a imagem, os jovens uruguaios explicam aos mineiros que “ela nasceu acompanhando os trinta e três homens que lutaram pela libertação de nosso país. Rezamos por sua libertação e pedimos à Virgem que interceda ante seu filho e os dê ânimo e esperança para passar estes momentos difíceis”.  

Recebam nossa saudação e a segurança de nossa oração dos jovens uruguaios presentes no 3° Congresso Latino-americano de Pastoral Juvenil”, expressaram.

Acidigital

05/08/2010 19:19

Novo sítio arqueológico é descoberto durante expedição de programa do Ceste

Durante uma expedição do programa ambiental de Prospecção, Salvamento/Resgate Arqueológico e Valorização do Patrimônio Histórico, Cultural e Paisagístico, realizada na área de abrangência da Usina Hidrelétrica Estreito (UHE-Estreito), foi identificado um novo sítio arqueológico chamado de Abrigo Santa Helena, que possivelmente é a primeira área de sepultamentos históricos.

No local também foram encontrados quatro recipientes intactos, que podem ser urnas funerárias. Este é mais um importante resultado do trabalho de resgate arqueológico promovido pelo Consórcio Estreito Energia (Ceste) nos 12 municípios alcançados pelo empreendimento, através do Núcleo Tocantinense de Arqueologia (Nuta), da Fundação Universidade do Tocantins (Unitins),

Localizado na Ilha dos Campos, entre os municípios de Darcinópolis (TO) e Estreito (MA), o sítio fica em área de difícil acesso. Talvez, por isso, tenha sido possível encontrar ali os quatro recipientes inteiros (inclusive com tampas), cobertos por uma fina camada de sedimentos (areia), a cerca de 10 cm de profundidade e sem o que os pesquisadores chamam de “perturbações antrópicas”, ou seja, circulação de pessoas.

“Pela localização da ilha, se tivesse havido a presença do homem, todas as informações que estamos colhendo aqui teriam sido perdidas e hoje não teríamos um sítio como este na área”, comenta a arqueóloga do Nuta, Loriza Dantas.

A pesquisadora assegura que o espaço localizado na área de abrangência da Usina de Estreito é importante no contexto nacional da arqueologia, especialmente para se conhecer um pouco mais sobre os grupos que habitaram a região.

“A gente não tem certeza, mas há vestígios de que ali foi uma área de sepultamentos, por conta de indícios de restos humanos encontrados”, acentua Loriza Dantas. Ela acrescenta que ainda não é possível precisar à qual data ou período remete o achado e que todo o material coletado será encaminhado ao laboratório do Nuta. “É lá, inclusive, que serão feitas as exumações dos recipientes”, destaca.

O gerente de Meio Ambiente do Ceste, Sérgio Larizzatti, afirma que tem sido de extrema relevância este trabalho de pesquisa realizado pelo Consórcio Estreito Energia. “Tais descobertas nos ajudam a conhecer e resgatar a nossa própria história. E o que o Ceste está fazendo é salvaguardar tais descobertas e torná-las acessíveis a todos”.

Emoção – Durante as expedições e descobertas, um grupo de trabalhadores vivencia emoções diferentes. São moradores da área, que hoje estão dando importante contribuição à história.

“Nunca imaginei em participar de um trabalho assim. Cada descoberta é muito interessante. Só via mesmo isso em filmes e hoje até me sinto estimulado a fazer uma faculdade na área”, diz Fabiano Silva, morador de Carolina, contratado para atuar como assistente técnico da equipe.

Pedro da Conceição, que antes de integrar a equipe de assistência técnica do projeto trabalhava como guia turístico na região, diz que também sente-se emocionado por conta do trabalho que está desempenhando. “Não tinha ideia do que ia acontecer. Agora estou vivenciando a história, o que é muito prazeroso”, garante.

Todo o material descoberto durante a execução dos Programas Ambientais de Prospecção, Salvamento/Resgate Arqueológico e Valorização do Patrimônio Histórico, Cultural e Paisagístico da área de abrangência da UHE Estreito é registrado no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos, o banco de dados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e na Unitins.

Fonte: CESTE/UHE Estreito