Frei Rodrigo – Nova direção

FREI JOSÉ RODRIGUES DE ARAÚJO/ Diretor Presidente Rádio Educadora de São Luis/Maranhão.

DISCURSO DE FREI RODRIGO  FEITO NA CAMARA DOS VEREADORES DE SÃO LUIS NA HOMENAGEM AS 44 ANOS DE FUNDAÇÃO DA RÁDIO EDUCADORA

A missão da Igreja é viver o mandato de Jesus: “Ide e fazei com que todos os povos se tornem meus discípulos” (Mt 28,19). A Igreja continua levando adiante essa missão, permanecendo inserida nas diferentes culturas e nos multiformes contextos humanos.

A rádio foi um dos meios populares de comunicação assumidos pela Igreja, tanto que em 12 de fevereiro de 1931, a Rádio Vaticana, instalada por Marconi, foi inaugurada durante o pontificado de Pio XI. No Brasil, a primeira concessão católica remonta ao ano de 1941 (Rádio Excelsior de Salvador), expedida durante o governo Vargas.

A Rádio Educadora foi fundada na década de 1960 e já desde seu início ela se destacou por seu jornalismo dinâmico e de forte conotação comunitária. Escreveu sua história ao longo de todos estes anos propondo sua imagem como sendo a emissora de maior credibilidade no Maranhão. Ela possui a maior cobertura de onda média e conta com profissionais de alto gabarito que buscam com persistência levar aos ouvintes uma informação exata dos acontecimentos cotidianos, sem omitir o aspecto do lazer e do entretenimento. Dispondo de programação diversificada, voltada para informação, utilidade pública e prestação de serviço, ela é a Rádio que promove a cidadania no âmbito do Estado do Maranhão. Todos os dias, na amplitude modular (AM), a Rádio Educadora faz entrar nos lares das famílias maranhenses lições de cidadania, de evangelização e de respeito para com a diversidade cultural. Está presente em 160 municípios do Estado e chega até outros Estados e no mundo inteiro através da rede mundial de computadores. A Rádio Educadora é a voz do povo do Maranhão nas suas maiores e específicas expressões religiosas e culturais.

Apresentamos, a seguir, alguns pontos que ilustram a identidade e o perfil da Rádio Educadora enquanto emissora católica:

1- Evangelizar, comprometendo-se com a causa do Evangelho e suscitando questionamentos permanentes através de:

- anúncio e denúncia;

- e desenvolvendo uma sadia consciência crítica, esclarecida à luz das Diretrizes Pastorais da Igreja no Brasil;

2- Colocar-se a serviço da comunidade:

- na prestação de serviços

- “sendo a voz dos anseios da comunidade, numa dimensão transformadora e profética”.

A ética é um princípio válido para todas as sociedades, independentemente do credo religioso, e, portanto, se aplica a todas as emissoras. É preciso lembrar, entretanto, que este princípio precisa ser de fato seguido e posto em prática no interior de todas as instituições. Por isso, dispensa dizer que a credibilidade da evangelização também depende da atuação límpida e coerente das emissoras da Igreja. A ética e o profissionalismo devem estar presentes em tudo o que fizermos: comercialização, programação, jornalismo, esporte, no quadro interno dos colaboradores e junto aos clientes. O profissionalismo, o compromisso ético, a abertura para a comunidade sempre deverão estar presentes em toda a nossa programação.

A informação divulgada deverá ser pautada pela real ocorrência dos fatos e terá por finalidade o interesse social e coletivo e não os interesses individuais e grupais. Na Rádio Educadora cultivamos a constante preocupação de que as notícias divulgadas sejam precisas e corretas para evitar que se venha a prejudicar pessoas nelas envolvidas. Dito em breve, o nosso objetivo é ajudar a sociedade para que alcance uma boa e satisfatória formação política, religiosa e social.

O compromisso fundamental dos nossos jornalistas e radialistas se enraíza na verdade dos fatos e o trabalho deles é pautado pela minuciosa apuração dos acontecimentos e pela correta divulgação dos mesmos. Isto nos leva a consolidar o compromisso de nunca realizar e tampouco possibilitar qualquer tipo de proselitismo, seja político-partidário, seja religioso, seja de qualquer outra conotação.

Em conclusão, você, que é nosso amigo ouvinte, saiba que a Rádio Educadora do Maranhão, ao realizar seu trabalho e serviço junto à comunidade, tem como principal preocupação a de divulgar de forma ética todos os fatos que gozem de interesse público, de lutar tenazmente pela liberdade de pensamento e de expressão e,enfim, de respeitar o direito de todo cidadão à privacidade.

A Rádio Educadora, enquanto emissora católica, procura defender com clareza e vigor os princípios e a doutrina católica em toda a sua programação.

Obrigado a esta casa pela homenagem a nossa rádio nos seus 40 anos de sua fundação. Louvado Seja, Senhor Jesus Cristo e que tudo seja feito para a sua glória.

GRANDE TRISTEZA E A SEXTA FEIRA SANTA

Todos nós temos as nossas próprias tristezas, sonhos destruídos, corações feridos e que sangram. Tal afirmação não significa que não temos alegria. Um mesmo coração machucado pode ter seus momentos de alegria. Porém, o que quero dizer, é que todos temos sempre uma Grande Tristeza.

Recentemente conclui a leitura de um livro em que o personagem principal, envolvido numa trama pessoal e familiar, conta que seu coração é invadido por uma Grande Tristeza. Aqui não quero me deter sobre o drama do personagem, mas confesso que este me marcou e me fez refletir também sobre a minha Grande Tristeza e de tantas pessoas que me circundam ou que ao longo do meu ministério sacerdotal me procuraram. Outro dia um colega sacerdote muito jovem dizia que havia atendido várias pessoas em sua comunidade e o que mais lhe havia impressionado era que, quase todas, ao se aproximarem para a confissão ou para uma conversa espiritual choravam longamente e falavam de tristeza, uma Grande Tristeza.

Todos temos nossos segredos, e muitas vezes, neles guardamos a nossa Grande Tristeza. Ela chega quase sem avisar e vai tomando conta de nós, paralisando e nos distanciando até mesmo das pessoas que mais amamos. Quando ela chega ficamos quase mudos, sem poder falar, e o silêncio e a solidão vão tomando conta do nosso ser. As companhias que eram tão divertidas agora se tornam um pesadelo e não conseguimos mais nos abrir, os outros lentamente vão se afastando e vamos aos poucos nos afogando em nossa Grande Tristeza. Nosso único desejo é ficar sozinho, distante, talvez porque o encontro, uma conversa pode incorrer no risco de arrancar a casca que envolve um coração ferido. A vida continua, mas tudo o que fazemos como comer, trabalhar, amar, sonhar e nos divertir podem ser usados como uma máscara ou uma vestimenta, como se fosse um roupão de chumbo a nos proteger dos outros e das experiências que nos trazem. Nestas horas, o que mais nos importa é que ninguém saiba qual é a nossa Grande Tristeza. Precisamos de alguém, mas o muro “seguro” se torna alto demais e nos sentimos sempre mais distantes de quem amamos e de quem nos ama. “A tristeza é um muro entre dois jardins”, diz Khalil Gibram.

Não existe sofrimento na Terra que o Céu não possa curar. Então, não pode existir tristeza tão grande que não possa ser curada. Diante disto cada um pode se perguntar: – Qual é a minha Grande Tristeza? Quais os males que ela me traz e onde encontrar a sua raiz?

Estamos celebrando nestes dias a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, e na Sexta-feira Santa, vamos celebrar a Grande Tristeza de Nosso Senhor. Ele também viveu sua Grande Tristeza e chegou até mesmo a dizer: “Meu Deus, Meu Deus porque me abandonastes?”. Diante do sofrimento e da angústia que caracterizam a adversidade profunda da Paixão e Cruz, Jesus se manteve Senhor da situação.

Senhor, eu ponho em vós minha esperança;

que eu não fique envergonhado eternamente!

Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito,

porque vós me salvareis, ó Deus fiel!(Sl.130)

Antes de ser preso para morrer na Cruz, Jesus procura o silêncio para refletir, mas não vai sozinho, leva consigo seus amigos; não enfrenta a adversidade da Cruz sozinho, mas em companhia de quem ama, dos seus discípulos, que era também a sua família. Com eles Jesus rezou e se fortaleceu interiormente. É claro que isso que não o salvou da grande e dolorosa adversidade da flagelação, da coroação de espinhos, do tribunal feito de injustiças e, por fim a Morte de Cruz… mas ele não fugiu; não traiu o projeto do Pai e passou pela adversidade fortalecido pela confiança inabalável de que Deus jamais o abandonaria. Mesmo na adversidade, e apesar da intensidade do sofrimento, Jesus continuou confiando em Deus.

O convite que faço a todos é que celebrem a Sexta-feira Santa olhando o sofrimento de Jesus e vendo como ele enfrenta a sua Grande Tristeza e n’Ele busquemos a força para enfrentarmos a nossa Grande Tristeza. Levantemos os nossos olhos e voltemos a contemplar a Cruz de Jesus para fortalecer-nos da força interior, marcada pela confiança inabalável no Pai, como fez Jesus. Nós cremos e confiamos que mesmo na adversidade da Cruz, que poderá nos atingir, o Pai não nos abandonará jamais e mostrará sua face serena para que não sejamos derrotados.

Que a Grande Tristeza do seu coração, do meu coração, nesta Páscoa se transforme, ao celebrarmos a vitória da Vida sobre a morte e passarmos da tristeza ao júbilo da Ressurreição. Amém!

Biografia

Frei Rodrigo, como é mais conhecido, nasceu em maio de 1960 no município de Tuntum, interior do Maranhão. Filho de uma família de cinco irmãos deu os primeiros passos na vida religiosa aos 15 anos, quando ingressou no Seminário dos Frades Menores Capuchinhos, na cidade de Barra do Corda( MA).

Já em 1983 foi estudar Filosofia e Teologia, no Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição na cidade de Belém (PA).Cinco ano depois, em 17 de dezembro de 1988, ordenou-se sacerdote na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, na Igreja São Raimundo Nonato na cidade onde nasceu.

Em 1990 partiu para Roma(Itália) onde fez Mestrado em Teologia Dogmática, na Pontifícia Universidade Gregoriana.É ainda pós-graduado em Relações Humanas, pela Universidade UNIGRANRIO-RJ.

Caminhos da Fé

Em São Luís, na década de noventa, Frei Rodrigo foi vigário cooperador na Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na COHAB. Em 1993 foi nomeado Vigário Paroquial da Paróquia São Francisco, na cidade de Belém – PA, onde também foi professor de Cristologia, Eclesiologia e Sacramentos no Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição.

Ainda em Belém, fundou dois programas de rádio, um na rádio Clube e outro na FM Nazaré, que até está hoje no ar. Frei Rodrigo apresentou ainda um programa de televisão por mais de um ano em Imperatriz, com o título: A Igreja em sua casa. Na cidade maranhense, onde morou por oito anos e recebeu o Título de Cidadão Imperatrizense, foi Pároco da Paróquia de São Francisco até 2006.

Em 26 de Janeiro do mesmo ano, Frei Rodrigo foi Eleito Ministro Provincial dos Frades Menores Capuchinhos dos Estados do Maranhão, Pará e Amapá. A sede da Província é o Convento do Carmo, na Igreja Nossa Senhora do Carmo, na cidade de São Luís – MA.

Frei Rodrigo foi ainda: Presidente da Conferência dos Capuchinhos no Brasil – CCB; Membro do Conselho dos Superiores Maiores Religiosos do Brasil – CRB; Membro do Conselho dos Presbíteros da Arquidiocese de São Luís; Membro do Conselho de Consultores da Arquidiocese de São Luís; Membro do Conselho Fiscal do Seminário Maior das Dioceses do Maranhão; Diretor do Museu da Igreja do Carmo e dos Capuchinhos do Maranhão, Pará e Amapá; Membro da Comissão Internacional de Solidariedade da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos – representante da América Latina

Frei Rodrigo e a Literatura

Além de artigos publicados em jornais e revistas do Maranhão, Pará e São Paulo Frei Rodrigo tem sete livros publicados:

1992 – Cristologia de Puebla e suas Conseqüências Pastorais na América Latina – Roma

1995 – Sínteses do Catecismo da Igreja Católica – (Escrito e lançado em Belém)

2000 – As Fragilidades da Vida – (Escrito e lançado em Imperatriz e Brasília)

2002 – Francisco, Homem de Fé que Reconstrói a Igreja – (Escrito em Imperatriz)

2003 – Tempo de Um Novo Começo – A Igreja de Jesus e os Novos Desafios -(Escrito e lançado em Imperatriz);

2006 – Um Sonho – Sonhei o Sonho de Vocês – (Escrito e lançado em Imperatriz)

2008 – Voluntas Tua, Jubilus Meus (Fazer tua Vontade, Senhor, é Minha Alegria)

1 comentário para “Frei Rodrigo – Nova direção”

  1. rútila martins braga disse:

    “como são belos os pés do mensageiro que anunciam a paz”

    Frei Rodrigo é carismático, dinâmico, demonstrando através de suas ações o que se pode contruir na Fé. Uma referência, um exemplo a ser seguido.

    Que seja para sempre abençoado.

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