
Início de fevereiro é, costumeiramente, apontado como período em que tem início o período chuvoso. “Costumeiramente”, apenas. Este ano, os índices de chuva em São Luís estão abaixo da média histórica, e há expectativa de que se mantenha assim até o início de março, o que propicia a ocorrência de “veranicos”, fenômeno caracterizado por vários dias sem chuva, com maior insolação e menos umidade (o que acarreta a sensação de abafamento).
Só nos últimos sete dias, a temperatura média máxima em São Luís foi de aproximados 35º C, havendo ainda datas especialmente calorentas, como o último domingo, com 37º C, e a sexta-feira anterior, com 36º C. A aferição da alta temperatura não é realizada apenas por termômetros: pessoas que trabalham sob constante insolação ou que vendam artigos que amenizem a sensação de calor estão entre as que percebem com maior intensidade a estranheza deste período chuvoso calorento.
Passaram-se já 28 anos desde que, ao redor da Praça Benedito Leite, José de Ribamar Cutrim, 52 anos, começou a dedicar seus dias a vigiar carros como “flanelinha”. Acostumado a seguir o ritmo das sombras ao longo do dia, a fim de proteger-se do sol, José de Ribamar não obstante não deixa de notar que o calor suportado por seu boné tem extrapolado o que é de rotina.
“A verdade é que, com o passar do tempo, a gente se acostuma a isso. A gente pula de uma sombra para a outra, passa um protetor solar, bebe água direto [em bebedouro dentro da Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social (Semcas), logo ali perto]. Mas ultimamente está muito ruim. Pior que o calor mesmo é esse ‘abafado’”, comenta o autônomo.
Outro flanelinha que com ele divide a praça não lança mão, por exemplo, de um protetor solar para se proteger, recorrendo a algo mais natural. “Protetor? A única proteção que eu tenho é a do suor mesmo. Eu passo o dia lavando carro aqui no estacionamento rotativo. Quando termino de lavar um, tenho de pegar a água que sobrou e derramar sobre a minha cabeça.
Ou eu faço isso ou parece que vou ter um ‘troço’”, descreve Ribamar Alves Almeida, 40 anos. Impressão similar é de Jonathan Costa, 29 anos, que trabalha como engraxate em diversos locais do centro histórico. Embora exerça seu trabalho, aonde quer que vá, em uma banca protegida por largo guarda-sol, Jonathan garante haver momentos em que pouca diferença tal proteção faz. “Às vezes, parece que o guarda-sol faz é piorar as coisas. Como tem pouco vento, cada vez vai esquentando mais o ar aqui embaixo. É de quase passar mal”, afirma.
Refrescos
O calor, por outro lado, pode ser aferido pelas possibilidades que abre às pessoas que estejam dispostas a suportá-lo na rua. No Largo do Carmo, em trecho ao fim da Rua Osvaldo Cruz, há oito dias Olaíde Nogueira Pinto, 38 anos, optou por ali dispor um carrinho de água de coco, extraindo-a fresca do fruto ali mesmo. A escolha do momento para iniciar o pequeno negócio não poderia lhe ter sido melhor: com cada copo de água de coco a R$1, tem vendido uma média de 100 a 150 copos por dia. “Dá para notar que as pessoas procuram a água de coco por causa desse ‘calorzão’.
Fonte: O Imparcial Online





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