Referência para o serviço público estadual, o Hospital Carlos Macieira (HCM) realizou cirurgia inédita na rede pública de saúde do Maranhão. Trata-se do procedimento conhecido como palidotomia estereotáxica, indicado para a melhoria dos sintomas relacionados à doença de Parkinson. Submetidas à operação há mais de 15 dias, as duas pacientes do HCM continuam em processo de franca recuperação.
Com quase 90 cirurgias semelhantes realizadas em 12 anos de especialização, o neurocirurgião José Roberto Guimarães, do HCM, chefiou a equipe médica responsável pelas intervenções cirúrgicas. Segundo ele, não há registro de nenhum outro hospital público no Norte e Nordeste realizando este tipo de procedimento. “A minha experiência na realização da palidotomia estereotáxica é feita mais em hospitais da rede privada, por isso, fico muito feliz de ter coordenado esse trabalho no Hospital dos Servidores”, relatou o médico.
O neurocirurgião fez questão de ressaltar que a doença de Parkinson ainda não tem cura e que os tratamentos, incluindo as intervenções cirúrgicas, somente aliviam os sintomas, precisando muitas vezes ser repetidos, após nova avaliação médica. Ainda segundo ele, existem 30 pessoas no estado aguardando na fila para serem submetidas à operação. “Atualmente, os diretores do hospital estão se empenhando para disponibilizar a palidotomia quando existe a indicação aqui no Hospital dos Servidores. Assim que a reforma terminar e o HCM for transformado em referência para alta complexidade no estado, este tipo de cirurgia deverá fazer parte do elenco de procedimentos de rotina”, destacou Roberto Guimarães.
O que é Mal de Parkinson
A Doença de Parkinson ou Mal de Parkinson age nas células do cérebro que produzem a substância condutora dos estímulos nervosos, a dopamina. A falta ou diminuição desta substância afeta os movimentos dos pacientes, causando tremores, lentidão, rigidez muscular, desequilíbrio, alterações na fala e na escrita. Estima-se que mais de 200 mil pessoas vivam com a doença no Brasil. No Maranhão, Roberto Guimarães conta que há cerca de 1.200 pacientes catalogados em seus consultórios, tanto na rede pública quanto na particular.
A Palidotomia Estereotáxica do globo pálido (gânglio cerebral envolvido no controle dos movimentos), indicada para casos especiais, consiste na implantação de um eletrodo, espécie de chip, no cérebro do paciente, após a realização de uma tomografia computadorizada que determinará com maior precisão o ponto a ser lesionado ou estimulado, com o auxílio das coordenadas estereotáxicas. Essas coordenadas são calculadas após a colocação de um aro estereotáxico na parte externa da cabeça do doente de Parkinson. O procedimento dura cerca de quatro horas e o paciente, que recebe anestesia local, pode voltar para casa logo no dia seguinte.
Foi o que aconteceu com a servidora pública aposentada Waldemaria de Jesus Costa, 65. Depois de mais de oito anos sofrendo com a doença, finalmente pôde se submeter à cirurgia. Depois de uma semana, mesmo ainda usando cadeira de rodas para se deslocar, ela garantiu que os sintomas da doença já estão bem mais amenos. “Além de tremores nas pernas, não tinha mais forças nos pés. Graças a Deus, estou me sentindo bem melhor”, contou ela, ao voltar no hospital para ser avaliada.
Para a aposentada Maria Bernadete Ferreira Lima, 72 anos, a cirurgia já não é mais novidade. Há cerca de 10 anos, ela se submeteu a mesma técnica, só que a intervenção ocorreu no lado direito do crânio. Desta vez, assim como dona Waldemaria Costa, a incisão foi do lado esquerdo. “Já me sinto bem melhor, assim como aconteceu com a primeira. Agradeço muito a diretoria do Hospital Carlos Macieira, que nos proporcionou isso tudo. Não teria condição de fazer em hospital particular”, Bernadete Lima.
Fonte: SES







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